Inicial / Cinema / 30 anos de "Brinquedo Assassino": Como Chucky virou um ícone do terror

30 anos de "Brinquedo Assassino": Como Chucky virou um ícone do terror

“A ideia certa no momento certo”. É assim que o roteirista e diretor Don Mancini, a mente por trás de “Brinquedo Assassino”, define sua criação. Exatamente 30 anos depois do filme original, que aportou nos cinemas em 9 de novembro de 1988, Chucky está mais vivo do que nunca.

Após sete filmes nos cinemas, “Brinquedo Assassino” vai virar série de TV. O próprio Mancini está no comando da empreitada, ao lado do produtor David Kirschner. Enquanto isso, a franquia vai ganhar também um reboot nos cinemas, com um Chucky “tecnológico” que vai atormentar um grupo de crianças, à la “Stranger Things”.

O novo filme de “Brinquedo Assassino”, no entanto, não tem a bênção dos criadores. “Obviamente, sou tendencioso. Prefiro o Chucky clássico, como todos nós no time criativo. É isso que estamos fazendo na série de TV, e não posso dizer o que eles estão fazendo no filme. Eles me convidaram para um papel de produtor, e eu disse: ‘Não, obrigado'”, comenta Mancini ao “The Hollywood Reporter”.

Criando Chucky

A história do primeiro “Brinquedo Assassino” começa com Mancini, então estudante de cinema, escrevendo um roteiro inspirado pelos bonecos cheios de novidades tecnológicas que, ano após ano, faziam pais americanos correrem para as lojas na época do Natal.

“Eu acho que temos uma resposta muito primitiva quando bonecos ganham vida. Temos uma fascinação e um medo natural daquilo que representa a forma humana, mas com algo de errado ou diferente. Além disso, o boneco é algo que associamos com a infância, a inocência — enfim, com coisas boas”, reflete o roteirista.

Duas lendas urbanas brasileiras dos anos 1980, possivelmente inspiradas por “Brinquedo Assassino”, parecem corroborar a avaliação de Mancini. Impossível esquecer das histórias das bonecas da Xuxa, que supostamente ganhavam vida e matavam crianças durante a noite. Já as fake news em torno dos bonecos do Fofão, do “Balão Mágico”, diziam que ele vinha com uma faca dentro do seu corpo, especialmente para o sacrifício das crianças.

O script de “Brinquedo Assassino” acabaria rodando bastante por Hollywood, passando pelas mãos de diversos diretores famosos: William Friedkin (“O Exorcista”), Robert Wise (“Amor, Sublime Amor”) e Irvin Kershner (“O Império Contra-Ataca”) quase fizeram o filme antes dele cair nas mãos de Tom Holland (o diretor de “A Hora do Espanto”, não o ator que interpreta o Homem-Aranha).

Holland reescreveu partes do roteiro, eliminando o tom de terror psicológico do original de Mancini, que concebia Chucky como a manifestação dos impulsos homicidas do pequeno Andy. O diretor também trouxe Brad Dourif para dar voz ao boneco, adicionando um tempero de humor negro ao personagem: “Ele criou um vilão satisfeito consigo mesmo. O seu Chucky era divertido”, comenta Holland.

Este elemento, aliás, pode ter sido chave para a durabilidade da franquia. Vilões de terror convincentes costumam cair em duas categorias: os misteriosos, que assustam justamente por não sabermos nada deles (vide Michael Myers, em “Halloween”); e os carismáticos, manipuladores, com quem passamos tanto tempo que é impossível não simpatizar (Freddy Krueger, em “A Hora do Pesadelo”). Chucky, especialmente nas sequências, se encaixa nesta última.

Construindo uma franquia

Feito por US$ 9 milhões, “Brinquedo Assassino” arrecadou quase cinco vezes mais (US$ 44 milhões) mundialmente. Poucos meses depois do lançamento, Mancini já estava com roteiro pronto para uma continuação, que seria lançada em 1990.

“É claro que eu sonhava com sequências [quando escrevi o original], porque ‘Halloween’ e ‘Sexta-Feira 13’ já existiam”, brinca Mancini. “Mas eu fui muito sortudo. Eu jamais pensaria que, trinta anos depois, a franquia ainda estaria viva. Com a exceção de James Bond, que outra série de filmes tinha essa longevidade quando fizemos o primeiro, em 1988?”.

O criador toca em outro ponto que impulsionou o sucesso de Chucky. Os anos 1980, no terror, foram dominados pelos slashers, filmes em que assassinos (a maioria, sobrenaturais) perseguiam e matavam diversas vítimas. “Brinquedo Assassino” chegou em um momento em que o público estava mais do que disposto a ver sangue jorrando na tela.

Conforme as sequências foram lançadas, e a era de outro do slasher ficava para trás, a trama de “Brinquedo Assassino” começou a misturar mais elementos de comédia com o terror. Após duas continuações diretas (“Brinquedo Assassino 3” foi lançado em 1991), Mancini deu uma guinada na franquia com “A Noiva de Chucky”, de 1998, que introduzia Tiffany (Jennifer Tilly).

O filme seguinte, “O Filho de Chucky” (2004), trouxe várias participações especiais (do rapper Redman ao cineasta John Waters) e nos apresentou a Glen/Glenda (Billy Boyd), o perturbado filho do casal principal.

Já “A Maldição de Chucky” (2013) e “O Culto de Chucky” (2017) recuperaram o tom de terror tradicional, voltando às origens da franquia — até Alex Vincent, que interpretou Andy no original de 1988, retornou ao elenco. Esta foi outra jogada esperta do roteirista, se aproveitando da onda de nostalgia oitentista que dominou o mundo do entretenimento.

A franquia, que provou sua versatilidade e apelo com o público, se prepara trinta anos depois para dar novos e ambiciosos passos. Os fãs, é claro, mal podem esperar.

[=]

Veja também!

Relação de Stan Lee com o Brasil envolve crime, extradição e falência

Adorado por milhares de fãs e quadrinistas no Brasil, Stan Lee tem uma relação um …

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

%d blogueiros gostam disto: