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Dobra nº de apps que ganham R$ 1 mi no Brasil; qual a receita do sucesso?

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O número de criadores de aplicativos que faturam mais de R$ 1 milhão por mês no Brasil mais do que dobrou nos últimos 12 meses, segundo os cálculos adiantados ao UOL Tecnologia pelo Google, que administra a Google Play, a loja de produtos digitais para aparelhos que rodam Android.

Para o Google, o salto do número de desenvolvedores com receitas milionárias sinaliza que viver de aplicativo pode ser uma opção no Brasil.

Isso é super significativo, porque mostra que é um negócio viável para esses empreendedores. Eles estão empregando gente e contratando mais desenvolvedores

Patrícia Corrêa, diretora de desenvolvimento de marketing de plataformas

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O crescimento é ainda mais expressivo diante do perfil de consumidor de aplicativo no Brasil: baixa muito e de tudo, mas não gosta de pagar por quase nada. Não à toa, o Brasil é o quarto maior mercado do mundo em número de downloads — fica atrás apenas de Estados Unidos, Índia e China, segundo a consultoria digital App Annie. Quando o critério analisado é o gasto com apps, porém, o país não entra nem no top 10 mundial.

A avaliação de que mais desenvolvedores passaram a faturar acima de US$ 100 mil (equivalente R$ 374 mil) e acima de US$ 300 mil (R$ 1,1 milhão) será apresentada pelo Google nesta quinta-feira (8) em seu evento para desenvolvedores latino-americanos, o Playtime. 

No Brasil, o número de integrantes do primeiro grupo cresceu 60% e o do segundo, subiu mais de 100%. O país puxa o crescimento da América Latina que, sozinha, é responsável por mais de 1 bilhão dos 8 bilhões de downloads feitos por mês em todo mundo.

Uma das empresas que alcançou a faixa dos US$ 300 mil é a Tapps Games, que desde 2012 cria jogos para celular.

“Dá para viver de aplicativos e games no Brasil desde que você encare isso como negócio de verdade”, diz Felipe Hayashida, chefe de marketing da empresa. Isso quer dizer encarar a atividade com profissionalismo e não apenas como algo feito apenas por paixão.

As receitas da empresa vêm sobretudo dos EUA e Europa.

É um negócio global. O desafio é construir um produto da perspectiva do Brasil para o mundo todo

O Google não revela quem são ou quantos são, ao certo, os criadores de apps com faturamento na casa dos sete dígitos, mas dá os ingredientes que compõem a receita de sucesso deles.

Qualidade é fundamental. Não adianta achar que tem uma ideia genial e fazer uma porcaria de aplicativo que não vai ser bem-sucedido

Patrícia Corrêa

Nada de app do iOS para Android

O primeiro item da lista é aprender como se comportam usuários do Android e focar em criar interfaces com as quais estão familiarizados.

“No passado, o desenvolvedor criava um aplicativo para iPhone e passava aquele mesmo design para o Android. A navegação no Android é diferente, os usuários estão acostumados com botões em lugares diferentes. Tinha uma quebra na fluidez.”

Correa diz que a qualidade com que o app é feito ajuda a chamar a atenção do usuário e a cativá-lo.

Respeita minha bateria

Outro ingrediente de sucesso é observar se um aplicativo não sacrifica a vitalidade do celular e se está funcionando sem enfrentar problemas a todo momento. Alguns dos exemplos citados por Correa são a quantidade de energia que o app exige da bateria e o nível de falhas apresentadas quando está em uso.

“O desenvolvedor tem de ser perguntar: ‘Quanto o app está consumindo de bateria? O usuário vai drenar toda a energia se ficar usando aquele app? Quantas vezes o app para de responder e surge aquele prompt na tela para reiniciar'”

Modelos de negócio

Outro segredo de quem aumenta o faturamento na Google Play, diz Correa, é explorar as diversas formas de gerar receita. Há quatro formas de ganhar dinheiro com um aplicativo na loja do Google:

  • apps ou games pagos: é o modelo mais simples, do tipo: para baixar tem que pagar;
  • compras dentro do app: comum em jogos, esse modelo de negócio é aplicado por serviços gratuitos; só que, para explorar áreas conteúdos exclusivos, o usuário tem de pagar para ter acesso a um item ou serviço digital. “Em um jogo, por exemplo, você compra super-poderes e outros itens e paga por isso”, diz Correa.
  • assinaturas: um preço fixo é cobrado mensalmente para que o usuário tenha acesso a um serviço. Essa modalidade é a que mais cresce no mundo. Só na América Latina, subiu 180% entre janeiro e outubro deste ano. Se você pensou em Netflix ou Spotify, acertou. Mas PlayKids e Tinder também fazem parte da turma que adota essa tática.
  • anúncios: nesse caso, o desenvolvedor permite que o Google exiba anúncios em seu aplicativo e recebe uma porcentagem sobre os ganhos com a publicidade. A propaganda pode ser feita em forma de vídeo ou de banners em meio à navegação no app

“A gente vê os desenvolvedores adotando essas formas de monetizando, e apps que não estavam gerando receita agora adotam a plataforma da Google Play para se beneficiar das várias formas de rentabilizaçã”

Costumam se dar melhor os desenvolvedores que criam sistemas que oferecem diferentes formas de pagamento. No Google Play, é possível pagar com cartão de crédito e até com cartões de presente ou com boleto. Tem até uma recarga pré-paga de créditos.

Vale a pena?

Segundo Corrêa, não um tipo de conteúdo que seja matador. O que os aplicativos de sucesso fazem é oferecer ao usuário aquilo que ela classifica como “valor tangível”, algo pelo que realmente vale a pena coçar o bolso. Serviços como esse conseguem, diz, quebrar o medo das pessoas em fazer compras na internet.

“Eu vejo que os aplicativos em que as pessoas ficam mais à vontade para colocar seus dados de pagamento são aqueles que trazem valor muito tangível, um filme ou música que dá para ver no tablet, delivery de comida ou táxi.”

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