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Massacre em Suzano: por que games não são responsáveis por agressividade

Um dia depois do triste massacre de Suzano (Grande São Paulo), que deixou 10 mortos, uma hashtag ganha força. Usada para debater a relação entre games e violência, a #somosgamersnaoassassinos foi um dos assuntos mais falados no Twitter a tarde desta quinta-feira (14).

A ação dos dois homens, um de 17 e outro de 25 anos, que entraram na Escola Estadual Professor Raul Brasil atirando contra alunos e funcionários foi relacionada por algumas pessoas com a preferência deles por jogos violentos de videogames.

Quem gosta de games se revoltou com a fala de Hamilton Mourão, vice-presidente da República. Ele foi um dos que fizeram a relação publicamente ao dizer que os jovens estão viciados em videogames violentos.

“É muito triste e temos de chegar à conclusão por que isso está acontecendo. Essas coisas não aconteciam no Brasil. A minha opinião é que hoje a gente vê essa garotada viciada em videogames. E videogames violentos. É só isso que fazem. Eu tenho netos e vejo meus netos muitas vezes mergulhados nisso aí. É isso que a gente tem de estar preocupado”, afirmou em entrevista à imprensa.

Vários internautas saíram em defesa dos videogames:

Não, videogames não são culpados

A questão da influência de jogos violentos no comportamento agressivo das pessoas, principalmente de crianças e adolescentes não é nova. Há muito tempo se discute (e se estuda) se a ligação é real.

Ainda não há provas sobre o que motivou os atiradores a cometerem o ataque na escola. Mas é preciso cuidado ao usar os jogos de videogame como bodes expiatórios. Outras questões envolvendo como os atiradores estavam psicologicamente e como eles conseguiram acesso fácil às armas ainda são perguntas sem respostas.

Um dos únicos fatos é que eles gostavam de jogar. O mais novo deles chegou a registrar algumas dicas e regras de games em um caderno, que também continha frases de ódio e desenhos de homens encapuzados.

Um estudo recente feito por pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, mostrou que o ato de jogar games violentos não tem relação com a agressividade de adolescentes. O estudo ouviu 1.004 jovens, com idades entre 14 e 15 anos, e seus respectivos pais e responsáveis (1.004). Ao final, não encontrou provas da relação entre jogos violentos e agressividade.

“A ideia de que videogames violentos geram agressividade no mundo real é popular, mas não foi provada muito bem com o tempo”, afirmou o pesquisador-chefe Andrew Przybylski, diretor de pesquisa do Instituto de Internet de Oxford.

O estudo foi considerado um dos mais definitivos pela instituição de ensino até agora por ter combinado informações dadas pelos adolescentes e por seus pais/adultos responsáveis. Outro ponto é que o levantamento não contou apenas com as percepções subjetivas dos jogadores quanto à violência nos videogames. Um sistema de classificação oficial determinado por órgãos do Reino Unido e dos Estados Unidos foi usado.

Segundo os autores, algumas situações dos jogos de videogame podem provocar sentimentos de raiva ou outros tipos de sensações, mas não há relação direta disso com comportamentos agressivos.

Para o Luís Fernando Tófoli, professor de psiquiatria da Unicamp, esse estudo procurou controlar todas as variáveis sobre o tema de maneira cuidadosa, e não conseguiu encontrar uma associação entre a polêmica.

No entanto, o docente lembra que medir esse tipo de efeito em adolescentes é um desafio metodológico do ponto de vista científico. Na literatura ainda existem resultados conflitantes.

Sua opinião pessoal é que jovens que jogam videogame e que estão bem psicologicamente provavelmente não se tornarão pessoas violentas.

A questão ainda não respondida é qual o efeito que estes jogos podem ter em jovens que não estão bem. Não é o videogame, mas o jovem que o joga. Os pais e cuidadores sabem como o seu filho está? O que tem feito? O que sente? Em última análise, quem ele é?

Professor Luís Fernando Tófoli

O professor também argumenta que é importante ampliar a discussão. É preciso muito mais estar atento ao tipo de cultura que a sociedade reforça. “Vivemos em um tempo onde a violência é glamourizada politicamente. Será que os videogames fazem mais mal do que isso? Por que ninguém pergunta sobre o efeito dos programas policiais vespertinos nos jovens? Infelizmente não temos dados científicos sobre isso, mas a pergunta precisa ser feita”, afirma.

A recomendação do especialista para pais e adultos responsáveis por crianças e adolescentes é que o diálogo seja estimulado e que o interesse no bem-estar dos jovens fique claro.

“Um jovem saudável provavelmente não terá reações violentas depois de jogar um videogame, respeitando, é claro, a idade indicativa para cada jogo”, destaca. “Mães, pais e cuidadores devem ficar de olho sempre que o comportamento mudar para pior, se houver problemas na escola, se o repertório de atividades se reduzir. Mas volto a insistir: é muito mais importante conhecer e estar próximo de seu filho como um todo do que exercer um papel de vigilância policialesca.”

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