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"O artista de jogos precisa ser multidisciplinar", diz palestrante do Path

Quem vê um game rodando na tela não imagina todo o trabalho que está por trás de todos aqueles gráficos detalhados. Designers, artistas e programadores de games quebram a cabeça para saber o que produzir para agradar os jogadores e ao mesmo tempo serem competitivos no mercado.

A palestra intitulada de “O fantástico mundo das artes dentro dos games” fez parte do Festival Path, o maior evento de inovação e criatividade do País, que acontece neste fim de semana, em São Paulo. Neste ano, o evento é apresentado pelo TAB.

Uma arte funcional

O artista de games Lucas Silva, do estúdio Mad Mimic, que mediava a mesa com Thiago Girello e Lígia Muraro, que atuam na mesma profissão, lembrou o quanto a satisfação do jogador é importante para quem quer começar nesse mercado.

“No início, eu pensava que ser artista em games era só fazer os jogos ficarem bonitos. Há muita coisa que fui aprendendo ao longo do tempo. O artista precisa se colocar no lugar do jogador e entender que ele precisa saber se um inimigo é mais ou menos perigoso, por exemplo, tudo isso é nossa função”, explica.

Lígia Muraro, que é coordenadora de artes em games, acredita que o artista que trabalha com jogos eletrônicos é especial por ter que pensar de forma multidisciplinar. “Ele sabe que precisa entregar um trabalho voltado para a interação, que o game designer vai conseguir executar” explica.

Em sua equipe na Tapps Games, Muraro tem desde profissionais que vieram do ramo da animação até a publicidade. E afirma que entender essa necessidade de se ajustar a algo funcional é muito importante.

"Distortions" (PC), do estúdio Among Giants, foi lançado em 2018 via Steam - Divulgação
“Distortions” (PC), do estúdio Among Giants, foi lançado em 2018 via Steam Imagem: Divulgação

Referências de fora

“Nos jogos existe algo chamado design de produção, isso é, usar o cenário e as roupas das personagens para explicar a narrativa, sem recorrer a cutscenes”, explicou Thiago Girello, criador do Among Giants, um estúdio focado em títulos autorais hardcore para o público adulto.

Girello lembrou da importância de não criar mais do mesmo, que é uma prática comum em muitos games. Ele acredita que a saída pode ser buscar referências fora do mundo dos games, como em filmes cinema.

O próprio estudava cinema e foi a partir do encanto na casa de um amigo com o jogo “Shadow of the Colossus”, do estúdio Team Ico, lançado em 2005 para o PlayStation 2, que ele resolveu que seu caminho seriam os games. Thiago e seu amigo tiveram a ideia de criar um jogo, o resultado só veio aparecer 10 anos depois: “Distortions”, lançado em 2018 no Steam.

Ele afirma que esse é seu trabalho mais expressivo no universo, mas não floreia sobre de onde vem o dinheiro. “O mercado de games é difícil, não tem muitas oportunidades e não dá muito dinheiro. O jogo em que trabalhei 10 anos não é com o que ganho dinheiro. Ganho mais prestando serviço para produtoras de games. Trabalho é trabalho, não pode ser radical”, explica ele sobre o conflito entre seguir grandes insights criativos e o mercado que dá retorno financeiro nos games.

'Shadow of the Colossus" foi lançado em 2005 para PS2, e ganhou remake para o PS4 em 2018 - Divulgação
‘Shadow of the Colossus” foi lançado em 2005 para PS2, e ganhou remake para o PS4 em 2018 Imagem: Divulgação

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