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Retrocompatibilidade no PS5: por que é tão importante?

Recentemente, a Sony confirmou, em entrevista de um executivo à Wired, que o PlayStation 5 terá retrocompatibilidade de jogos do PlayStation 4. Ou seja, o usuário que tiver comprado um game no console atual poderá desfrutar dele no próximo console, que pode ser lançado em 2020. Mas por que isso importa e por que a Sony resolveu adotar esse recurso?

Do ponto de vista do usuário, a importância da retrocompatibilidade é óbvia: você pode continuar aproveitando jogos em que investiu tempo, dinheiro (e amizades!).

Um caso pessoal, por exemplo: comprei uma versão física de “GTA V” no PS3 e joguei dezenas de horas. Anos depois, já com um PS4, queria voltar para Los Santos e explorar mais o conteúdo online, mas para isso precisaria comprar uma nova versão de PS4. Procurei promoções da PSN, mas no fim das contas me recusei a pagar novamente por algo em que já tinha gastado um bom valor antes.

Na próxima transição de gerações, a história pode ser outra.

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Na transição do PS3 (foto) para o PS4, a retrocompatibilidade ficou de fora Imagem: Divulgação

A próxima geração é diferente

Um dos motivos dessa mudança para a próxima geração é que a arquitetura do próximo modelo permitirá que o “milagre da retrocompatibilidade” ocorra. Na época do lançamento do PS4, a Sony afirmou que a construção do novo videogame impediria que games antigos fossem aproveitados na plataforma, o que revoltou muitos jogadores.

Agora, para o PS5, isso não ocorrerá. O modelo, apesar de ter avanços consideráveis em gráficos, tempo de carregamento e outras tecnologias, é construído em uma espécie de mesma “base” que o dispositivo da geração anterior.

De fato, a Sony em geral tem um histórico de não ser contra a retrocompatibilidade – o PlayStation 4 é um dos únicos aparelhos da empresa que não suportam isso de forma alguma. Tanto o PlayStation 2 quanto o primeiro modelo do PlayStation 3, o chamado “FAT”, podiam rodar jogos antigos.

No caso do PlayStation 4, a empresa tentou dar algumas alternativas, como a série PS2 Classics, jogos remasterizados e o serviço de streaming PlaySation Now, que nunca chegou ao Brasil. Nada, contudo, que contemplasse aquele usuário que já havia comprado mídias para o PlayStation 3 e queria botar para rodar no novo videogame.

A própria Sony admitiu que trazer a retrocompatibilidade para o PlayStation 5 poderá fazer com que a transição entre gerações seja muito mais leve e rápida do que nunca – usuários ficarão menos apegados a seus dispositivos e jogos já comprados antes de pularem para o novo.

Efeito Microsoft?

Por trás da estratégia da Sony, há ainda um outro ponto: a sua grande rival, Microsoft, fez um esforço mais eficaz para que plataformas da atual geração pudessem rodar jogos antigos. Quando o Xbox One foi lançado, não foi dito nada sobre a retrocompatibilidade, mas anos depois a empresa passou a dar a devida atenção.

Na E3 2017, a Microsoft soltou a bomba de que jogos do Xbox 360 poderiam ser jogados no Xbox One. Depois do anúncio, a companhia passou a adicionar mais e mais jogos a esse suporte.

E não foi uma solução paliativa como as criadas pela Sony: no caso da Microsoft, se você tinha uma mídia física do Xbox 360, poderia simplesmente colocar o disco no console novo que seria baixada uma versão do game para o Xbox One. Depois, o serviço foi ampliado para rodar também jogos do Xbox original.

Hoje, a retrocompatibilidade também está incorporada no serviço Xbox Game Pass, que possui títulos de Xbox 360 e até do Xbox original no catálogo.Talvez a pressão da concorrente tenha feito a Sony colocar a retrocompatibilidiade como uma das prioridades para a próxima geração.

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Imagem: Reprodução

Os videogames estão mudando

A decisão ainda envolve o fato de que estamos em uma época diferente para os videogames. A PlayStation Store, por exemplo, é muito mais lucrativa e usada agora do que na época do fim do ciclo do PlayStation 3. Com os jogos em formato digital, o usuário naturalmente espera que eles estejam vinculados à sua conta, não ao videogame em questão – ainda assim, o PS5 manterá a opção de discos físicos.

Outra mudança pela qual a indústria vem passando é com os novos serviços de streaming que podem revolucionar os games. Google já anunciou o projeto Stadia, enquanto Microsoft e Sony anunciaram uma surpreendente parceria para serviços em nuvem. Com os jogos na nuvem no estilo Netflix, a questão de retrocompatibilidade seria algo do passado.

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Controle do Google Stadia, serviço de games via streaming que romperia a barreira dos consoles Imagem: Divulgação

A própria maneira como jogos são feitos e usuários interagem com eles tem mudado. “Fortnite” é um grande exemplo: é um jogo em constante atualização, um “jogo como serviço” que sobrevive à base de microtransações, temporadas e conteúdos especiais. Ao contrário de “Call of Duty”, por exemplo, que ganha uma nova versão a cada ano. Como se sentiria o jogador que gastou rios de dinheiro e tempo em “Fortnite” no PlayStation 4 perdendo tudo isso no PlayStation 5?

Se por um lado você tem a má notícia de que terá que desembolsar uma grana em breve em um novo console, pelo menos a boa é que suas compras não ficarão presas ao passado. E se quiser adiar o pulo para a nova geração pode ficar tranquilo, que até a Sony já indicou que os primeiros jogos serão lançados para PS4 e PS5.

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