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Uma Aventura Lego 2 existe unicamente para vender mais brinquedos da lego

Uma Aventura Lego 2 existe basicamente com um único propósito: vender mais conjuntos lego. Não existe no novo filme, que chega aos cinemas cinco anos depois da aventura original, uma ideia nova que justifique sua existência. Basicamente, é “Uma Aventura Lego Remix”, em que toda inovação de seu conceito foi trocada por repetição infinita. O protagonista, Emmet, parece não ter aprendido nada com suas experiências anteriores. A grande sacada de colocar a história no “mundo real”, a grande reviravolta do primeiro filme, aqui se torna parte manjada da trama. Toda a evolução da ideia que mostrava brinquedos como gatilho para soltar a imaginação dos pequenos, o que já fora explorado antes em Toy Story, ganha aqui um texto bobo sobre brigas de irmãos – “surpresa” telegrafada já na primeira cena. Como comercial gigante para os bloquinhos coloridos de construir, entretanto, é um arraso!

Não que tenha algo errado em misturar animação com produtos corporativos. Nada de hipocrisia: o cinemão pop hoje é uma imensa feira, com o cinema sendo parte de uma engrenagem gigante para movimentar m(b)ilhões. Por outro lado, não estamos aqui para analisar gráficos de vendas em reuniões de executivos, e sim para ver se Uma Aventura Lego 2, mesmo com sua inclinação marketeira, é bem sucedido em sua intensão em ser diversão inofensiva. Bom, a resposta é sim…. e não. Repetição nem sempre é um demérito (eu adoro os Ramones de ponta a ponta), e muitas vezes um filme é bem sucedido ao repetir, muitas vezes com o modo irônico ligado, os passos de seu antecessor – vide Anjos da Lei 2. Mas é parte do trabalho dos cineastas criar um espetáculo com um mínimo de molho para que a repetição não se torne enfadonha. Nesse ponto, Uma Aventura Lego 2 vai mal das pernas. E o motivo só pode ser a troca de guarda.

Nossos heróis tem de encarar… essa vilã nada ameaçadora

Anjos da Lei, por sinal, é um exemplo providencial, já que os dois filmes que levaram a série policial-teen dos anos 80 para os cinemas tem a dupla Phil Lord e Chris Miller no comando – não por acaso, diretores de Uma Aventura Lego. Aqui eles sentam no banco do passageiro, assinando roteiro e produção, mas deixaram o comando da coisa com Mike Mitchell. O script, portanto, é recheado de sacadas espertas e boas piadas – mas eu não sei quantas crianças vão “pegar” a referência ao biquinho do Batman de Val Kilmer. Mas a condução da trama é modorrenta, arrastada e desinteressante – que provavelmente é que você recebe quando contrata o diretor de Gigolô por Acidente e Skrek Para Sempre para o trampo. Uma Aventura Lego 2 provavelmente funcionaria bem melhor se fosse lançado direto em DVD ou streaming, já que se beneficia do milagre do fast forward. No cinema a aventura tem um par de barrigas que justifica até uma soneca na sessão.

A trama apresenta uma ameaça “fofinha” que destrói a paz dos habitantes de Bricksburg, transformada num deserto pós-apocalíptico ao estilo Mad Max. Emmet é o único que ainda acredita que “tudo é incrível”, levando a vida alheio às mudanças a seu redor. Quando um reino alienígena, comandado por uma rainha transmorfa, rapta seus melhores amigos, ele precisa dar um jeito de deixar seu mundo, resgatar a turma – entre eles a espivitada Megaestilo e, claro, o Batman – e aprender uma nova lição sobre seu lugar no mundo. Aqui cabe um ALERTA DE SPOILER GIGANTE se você nunca assistiu ao primeiro filme: sabemos de cara que tudo se passa na casa de uma família tradicional americana e, como a ação acontece em meio às brincadeiras das crianças, fica difícil criar alguma conexão com a trama sem surpresas ou riscos. É meio anticlimático, mas passa como diversão ligeira. E como comercial de lego, claro.

Uma Aventura Lego 2 consegue “despertar a força”… tu-dum-pish!

Essa falta de ideias parece dominar parte das sequencias de animações de sucesso, que muitas vezes falham em recapturar o que fez do original tão especial. Para cada Como Treinar Seu Dragão 3, que encerra a trilogia de forma brilhante justamente pelo cuidado com o roteiro, somos bombardeados com Os Incríveis 2 (que basicamente inverte a trama de seu antecessor), Hotel Transilvânia 3 (mesmas gags para um público muito infantil) ou Wi-Fi Ralph (retalhar uns 20 minutos da trama faria um bem danado ao filme). Uma Aventura Lego 2 mantém o mesmo nível brilhante da animação (que ainda parece um filme em stop motion gigante com legos, mesmo sendo 100 por cento digital) mas oferece pouco além. Uma temporada que trouxe Homem-Aranha no Aranhaverso – mais uma vez um produto da dupla Lord/Miller – precisa manter o nível lá no alto. Por outro lado, passei em frente a uma loja de brinquedos ao sair do cinema, e adivinhe que marca enfeitava a vitrine de ponta a ponta?

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